terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Em carta, xavantes falam sobre terra em disputa e futuro pós-desocupação

Nesta segunda, produtores entraram em confronto com policiais na região. Justiça reconheceu a terra como posse dos xavantes em Mato Grosso.


"Quando fomos retirados para a Terra Indígena São Marcos já criaram os municípios e o nosso território foi destruído". A afirmação é da comunidade xavante feita por meio de carta protocolada junto ao Ministério Público Federal (MPF), em Cuiabá (MT), nesta segunda-feira (10), sobre a retomada da área indígena que atualmente é ocupada por produtores rurais na região de Alto Boa Vista, a 1.064 quilômetros da capital. Para os xavantes, o processo de retirada das famílias de não índios é essencial para garantir ao povo indígena a posse de suas terras.

O território Marãiwatsédé está localizado na região nordeste de Mato Grosso, tem mais de 165 mil hectares e é alvo de uma disputa entre a comunidade indígena e produtores rurais. A Justiça reconheceu a área como de uso do povo xavante. Famílias obrigadas a deixar suas áreas em cumprimento à decisão judicial prometem resistir ao processo de desintrusão.

Ainda nesta segunda-feira (10), um grupo de moradores, policiais rodoviários federais e agentes da Força Nacional de Segurança se envolveram em um conflito. Balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo foram usados para conter a confusão.

O incidente foi o primeiro desde que fora iniciada a operação para retirada dos ocupantes não índios da reserva Marãiwatsédé. A confusão durou cerca de 30 minutos e foi registrada em uma propriedade distante 20 quilômetros do distrito de Posto da Mata, onde vive boa parte das famílias obrigadas a deixar a região. Foi iniciada quando um grupo de moradores deslocou-se até uma propriedade rural após saber da desintrusão. O morador não cumpriu a ordem judicial, retirando os bens do local.

Durante o confronto, uma agricultora passou mal e desmaiou. Um policial da Força Nacional de Segurança ficou ferido.

Luta pela terra e o futuro
Em carta direcionada à sociedade brasileira, os xavantes afirmam que a luta pela garantia da terra iniciou-se ainda em 1992, ano em que se realizara a Eco 92. "Nesse território os ancestrais, nossos bisavós, viviam em cima da terra. Esse território é origem do povo de Marãiwatsédé. Nessa terra amada foi criado o povo Marãiwatsédé", afirmam.

Na carta os índios dizem esperar, há tempos, que os moradores brancos fossem retirados da localidade. "A desintrusão já começou. Os anciões esperaram muito tempo para tirar os não índios da terra. Sofreram muito. A vida inteira sofrendo, esperando tirar os fazendeiros grandes", diz um trecho da carta.

Para os xavantes, o cumprimento da decisão judicial pode ser interpretado como uma "luta contra a mentira". Os moradores da aldeia dizem-se tranquilos quanto ao processo de retirada das famílias. 

O prazo para que os ocupantes não índios deixassem a região de forma voluntária encerrou na quinta-feira (6). De acordo com a procuradora federal Márcia Brandão Zollinger, o processo de desintrusão segue o que foi determinado pela Justiça e só será suspenso em caso de nova decisão judicial. Produtores rurais tentam, no Supremo Tribunal Federal (STF), suspender a decisão.

"A decisão deve ser cumprida a não ser que uma sentença contrária a interrompa. O processo está em curso e confirma a necessidade de se retirar as famílias que lá estão de má fé", afirmou durante entrevista coletiva na Procuradoria da República, em Cuiabá.

O cacique Damião Paridzané faz um relato sobre como deve ser o futuro dos indígenas após o cumprimento da decisão judicial. "Os animais não podem sofrer mais com tanta destruição da natureza. Quando a terra for devolvida para nosso povo a floresta vai viver novamente, vão voltar animais e plantas. Nossa mãe vai ficar muito forte e muito bonita, como sempre foi. É assim que tem que ser", destacou.

O impasse
De acordo com a Fundação Nacional do Índio (Funai), desde a década de 60 o povo xavante ocupa a área Marãiwatsédé. Nesta época, a Agropecuária Suiá-Missú instalou-se na região. Em 1967, índios foram transferidos para a Terra Indígena São Marcos, na região sul de Mato Grosso, e lá permaneceram por cerca de 40 anos, afirma a Funai.

No ano de 1980 a fazenda foi vendida para a petrolífera italiana Agip. Naquele ano, a empresa foi pressionada a devolver aos xavantes a terra durante a Conferência de Meio Ambiente no ano de 1992, à época realizada no Rio de Janeiro (Eco 92). A Funai diz que neste mesmo ano - quando iniciaram-se os estudos de delimitação e demarcação da Terra Indígena - Marãiwatsédé começa a ser ocupada por não índios.

O ano de 1998 marcou a homologação, por decreto presidencial, da Terra Indígena. No entanto, diversos recursos impetrados na Justiça marcam a divisão de lados entre os produtores e indígenas. A Funai diz que atualmente os índios ocupam uma área que representa "apenas 10% do território a que têm direito".

A área está registrada em cartório na forma de propriedade da União Federal, conforme legislação em vigor, e seu processo de regularização é amparado pelo Artigo 231 da Constituição Federal, a Lei 6.001/73 (Estatuto do Índio) e o Decreto 1.775/96, pontua a Funai.

Fonte: Leandro J.Nascimento/G1MT
Foto: Reprodução/TVCA

Confrontos não devem barrar saída de posseiros de área xavante, diz MPF

Em 1º dia de desocupação, produtores e polícia envolveram-se em conflito. Território foi reconhecido como de uso do povo xavante em Mato Grosso.

A procuradora da República em Mato Grosso, Márcia Brandão Zollinger, afirmou nesta segunda-feira (10) que a operação para retirada das famílias de não índios do território Marãiwatsédé continuará mesmo diante dos primeiros registros de confronto entre moradores e policiais. Segundo ela, somente uma nova decisão judicial pode interromper a desocupação - iniciada também nesta segunda.

A ação de desocupação dos não índios da terra indígena Marãiwatsédé foi iniciada em agosto de 2012, pouco tempo após a Justiça Federal em Mato Grosso determinar a retomada do processo de desintrusão da área com mais de 165 mil hectares e localizada entre os municípios de Alto Boa Vista, São Félix do Araguaia e Bom Jesus do Araguaia.

O prazo conferido pela Justiça para que os moradores deixassem a área de forma voluntária encerrou ainda na quinta-feira (6). Para a procuradora da República, os atos de violência podem ocorrer em processos desta natureza, mas todos os órgãos envolvidos no processo estão tratando a situação com cautela.

"Em disputas judiciais existem a possibilidade de conflito, mas que é tratada com base no estímulo ao diálogo", afirmou a procuradora. No primeiro dia de retirada não voluntária da área em litígio, um grupo de moradores envolveu-se em um conflito com policiais rodoviários federais e agentes da Força Nacional de Segurança.

O Ministério Público Federal acompanha a operação de retirada e segundo a procuradora, a ocupação do território ocorreu pela má-fé. "As pessoas sabiam desde 1995 que a área era de ocupação xavante", destacou ainda Márcia Brandão.

Pelo plano estabelecido pelos agentes federais, grandes proprietários serão os primeiros a receber a equipe da desintrusão. Posteriormente, os menores. "Como há pessoas com perfil de reforma agrária, o Incra vai trabalhar para assentá-las", afirmou ainda a procuradora da República.

De acordo com o Instituto Nacional de Reforma e Colonização Agrária (Incra), uma fazenda emRibeirão Cascalheira, a 893 km da capital, será utilizada para receber as famílias com perfil dos programas de assentamento do governo. Ela tem capacidade para receber 250 famílias. Até o momento, 150 famílias se cadastraram.

Carta à população Em carta assinada pelo cacique da aldeia Marãiwatsédé, Damião Paradizané, e protocolada junto ao Ministério Público Federal (MPF) nesta segunda (10), os indígenas afirmam ser a desintrusão a única forma de garantir à comunidade a posse da terra.

"Quem ocupava a terra eram nossos pais, nossos avós e bisavós que nasceram aqui, cresceram aqui, fizeram festa para adolescente, lutaram muito, fazia ritual dentro do território Marãiwatsédé. Nem fazendeiro nem posseiro viviam aqui antes de 1960", afirmam.

De acordo com a Fundação Nacional do Índio (Funai), desde a década de 1960 o povo xavante ocupa a área Marãiwatsédé. Nesta época, a Agropecuária Suiá-Missú instalou-se na região. Em 1967, índios foram transferidos para a Terra Indígena São Marcos, na região sul de Mato Grosso, e lá permaneceram por cerca de 40 anos, afirma a Funai.

"Nesse território, os ancestrais, nossos bisavós viviam em cima da terra. Esse território é origem do povo de Marãiwatsédé, nessa terra amada foi criado o povo de Marãiwatsédé. Agora a desintrusão já começou, os anciões esperam muito tempo para tirar os não índios da terra, sofreram muito. A vida inteira sofrendo, esperando tirar os fazendeiros grandes", reafirmam ainda os xavantes.

A Funai diz que atualmente os índios ocupam uma área que representa apenas 10% do território a que têm direito.

Tranquilidade
Ainda na carta, os indígenas dizem estar tranquilos quanto à operação. "Hoje a comunidade espera tranquila a desintrusão", cita trecho da carta. Ela relaciona ainda a destruição do meio ambiente da região e com o futuro, quando a terra for devolvida.

"Quando fomos retirados para a Terra Indígena São Marcos já que criaram os municípios e o nosso território foi destruído. Quem destruiu foi o índio ou foi o branco? A gente sabe mesmo, foi o branco que destruiu a floresta, essa não é a nossa vida. Nossa vida é preservar a terra, a natureza, os rios, os lagos. É assim que vive nosso povo", expressam ainda na manifestação.

"Quando a terra for devolvida para nosso povo, a floresta vai viver novamente e voltar animais e plantas. Nossa mãe vai ficar muito forte e muito bonita, como sempre foi. É assim que tem que ser", concluem os moradores indígenas.

Fonte: Leandro J.Nascimento/G1 MT
Foto: Reprodução/TVCA

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Justiça do Trabalho condena JBS Friboi por assédio sexual

R. V. S. relatou ser constantemente assediada pelo chefe do seu setor

A JBS Friboi de Mirassol D’Oeste (300 km ao Norte de Cuiabá) foi condenada, na Justiça do Trabalho, a pagar indenização por danos morais de R$ 15 mil, decorrente de assédio moral sofrido por uma ex-funcionária da unidade.

A empresa deverá, ainda, pagar as horas extras cumpridas pela empregada e que não foram compensadas.

Na ação, originária da Vara do Trabalho de Mirassol D’Oeste, a juíza Bianca Doricci verificou a ocorrência de assédio sexual sofrido pela autora, R. V. S., quando ela ocupava o cargo de ajudante de Produção, no setor de limpeza da empresa.

Na ocasião, a juíza estabeleceu multa de R$ 76 mil a ser paga para a ex-funcionária, em decorrência do assédio sofrido, bem como as horas extras cumpridas sem remuneração.

Em seu depoimento, R. V. S. afirmou que, durante o cumprimento de suas funções na empresa, regularmente, precisava cumprir jornadas excessivas de trabalho e que, nessas ocasiões, era constantemente assediada pelo chefe do setor, S. M. S.

Ele teria tentado agarrá-la à força, em uma das noites em que ela cumpria hora extra e, ao ser rejeitado, a demitiu em seguida. O caso ocorreu à meia-noite do dia 23 de janeiro deste ano.

O depoimento da autora foi confirmado por outras funcionárias da empresa, que alegaram já ter sofrido algum tipo de assédio por parte do seu superior, mas que tinham medo de perder o emprego e, por isso, se mantiveram caladas a respeito.

As assistentes de produção - inclusive, a ex-funcionária - alegaram ter registrado reclamações sobre o constrangimento causado por S. M.S . à líder da equipe e substituta direta do chefe, identificada na ação apenas como Cristina.

No entanto, ela não acreditou no relato das funcionárias, afirmando que o chefe era “crente” e, por isso, não assediaria seus empregados dessa forma.

A empresa negou, no decorrer da ação, qualquer tipo de assédio causado pelo chefe do setor, mas não conseguiu comprovar os fatos.

A defesa da JBS recorreu da decisão, mas teve a condenação em primeira instância mantida pela 1ª Turma de Julgamento do Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região, em acórdão feito em novembro deste ano.

Confira, em anexo, a íntegra da sentença em 1ª instância e do acórdão, onde constam os relatos da funcionária sobre o ocorrido.

Fonte: Lislaine dos Anjos/Redação

Moradores cumprem promessa e entram em duro confronto com policiais em Suiá Missú

Dito e feito. Os moradores do distrito de Estrela do Araguaia entraram em um intenso confronto com a Força Nacional e com a Polícia Rodoviária Federal (PRF) no início da tarde desta segunda-feira (10) para defender o primeiro fazendeiro que estava sendo alvo da desintrusão. A “guerra” foi travada com pedras e armamento não-letal. Manifestantes e policiais acabaram feridos.

A ação das forças policiais estava tranquila até o momento em que sete caminhonetes e carros lotados de moradores chegaram ao local. Dentre as pessoas que partiram para o confronto com as autoridades estavam idosos e crianças. Muitos partiram do distrito assim que a notícia se espalhou e foram cumprir a promessa de defender as terras de que estão sendo despejados mesmo perante a truculência policial.

No momento da chegada dos manifestantes, oito policiais conduziam a operação. Os moradores revoltados invadiram a fazenda a seis quilômetros do distrito e chamaram os policiais para a briga. “Só saímos daqui mortos”, declaravam.

Em desvantagem numérica, os policias conseguiram reverter a situação rapidamente e encurralaram os manifestantes. Os moradores de Suiá Missú dispararam pedra contras as viaturas e contra os policiais, que responderam com bombas de feito moral e balas de borracha. Enquanto a ação se desenrolava, o telefone da sede da associação dos produtores locais não parava de tocar com ligações de toda parte da gleba e de familiares em outras regiões do Estado.

Estima-se que cerca de 70 pessoas se envolveram no confronto. A pastora Irene Maria da Rocha sentou-se em frente à fazenda e acabou passando mal. Só após uma trégua no embate ela pôde ser resgatada.

Por telefone, o pecuarista dono da fazenda palco do confronto Antônio Mamed Jordão, o ‘Alemão’, de 64 anos, relatou que as viaturas da Força Nacional chegaram por volta de meio-dia acompanhados da PRF e de um helicóptero sobrevoando a área. O helicóptero levou o oficial de Justiça responsável por conduzir a execução do despejo dos ocupantes e dos bens presentes nos 999 hectares de terra que Alemão detém, com escritura, há 14 anos.

Antes da manhã desta segunda-feira, Alemão já tinha conseguido retirar cerca de mil cabeças de gado da propriedade. Restaram aproximadamente 200, que devem ficar sem rumo.
Os homens da Força Nacional vistoriaram toda a propriedade e fizeram um levantamento dos bens, mas mantiveram o dono da propriedade ilhado dentro da sede da fazenda.

“Eu tô passando mal, eu tô para ter um infarto aqui. Nesses 14 anos de trabalho nunca fui tão humilhado na minha vida”, declarou, desesperado, antes de desligar o telefone para falar com um dos soldados que dominaram sua casa.

Fonte: Reportagem local - Lucas Bólico e Renê Dióz - enviado especial a Estrela do Araguaia (Posto da Mata)
Foto: José Medeiros/Fotos da Terra


Casa ou comércio com melhor decoração natalina receberá prêmio da Prefeitura de Diamantino

Com o objetivo de incrementar a decoração natalina do município de Diamantino, a Prefeitura realiza o Concurso de Decoração Natalina 2012 - “NATAL ILUMINADO IV”,o intuito é de estimular a criatividade da comunidade, moradores e comerciantes; apoiar as manifestações da cultura popular e tornar a cidade mais bela para as festividades natalinas.

De acordo com o regulamento, poderão participar: residências, estabelecimentos comerciais, industriais e empresariais (bares, restaurantes, galerias, hotéis, etc.), do município de Diamantino, tendo em vista que somente poderão participar do presente concurso os imóveis situados na zona urbana.

O julgamento será realizado por uma Comissão Julgadora que irá escolher a melhor decoração do Natal, tanto no comércio quanto na residência. A comissão julgadora observará os seguintes quesitos: criatividade; espírito natalino; beleza e iluminação.

Para cada um dos quesitos, o jurado deverá dar nota de 5 a 10, não fracionado.

Em caso de empate na soma dos pontos, o critério para escolha da ordem dos vencedores será maior pontuação em espírito natalino; permanecendo empate, a maior pontuação em beleza; permanecendo empate, maior pontuação em iluminação e permanecendo empate, será realizado o sorteio para desempatar.

O julgamento acontecerá dos dias 19 a 23 de dezembro de 2012, das 20h às 23h (sem aviso prévio) de acordo com a decoração que estiver instalada neste período.

O resultado será revelado no dia 26 de dezembro de 2012 através de publicação nos comércios locais e contato telefônico. A entrega da premiação será no dia 31 de dezembro de 2012, na Praça Major Caetano Dias, às 19h30.

PREMIAÇÃO
Residencial: Isenção do IPTU 2013 do imóvel decorado;
Comercial: Isenção na taxa do Alvará 2013 do comércio decorado.
Leia o regulamento completo: www.diamantino.mt.gov.br

Fonte: Assessoria de Imprensa

Desintrusão pode deflagrar propagação de ferrugem e aftosa

Marcada para se iniciar nesta segunda-feira (10), a desintrusão dos ocupantes não-índios das terras de Suiá Missú pode acarretar sérios prejuízos à economia da região e do Estado devido ao risco de propagação sem controle das doenças da ferrugem asiática nas lavouras de soja e da febre aftosa entre o rebanho local.

A advertência serve como um dos argumentos usados pelos produtores rurais contra sua retirada do local e chegou a fundamentar petições judiciais por mais prazo no processo que culminou na desintrusão. Suas implicações econômicas já preocupam também produtores e municípios das proximidades; arrecadações de cidades como Alto Boa Vista (que tem 72% de sua área dentro da gleba Suiá Missú) já estão sob risco.

Oriundo de Rondonópolis, o agricultor Neivo Spigosso, de 63 anos, foi um dos que tentaram obter na Justiça mais tempo antes de se retirar das terras onde cultiva soja há dez anos. Sua plantação de 750 hectares, mantida por 12 funcionários, deve estar pronta para a colheita daqui a sessenta dias.

 Na Justiça federal, ele sustentou, com base em laudo agronômico, o risco de propagação da ferrugem e outras doenças da lavoura caso os produtores sejam forçados a abandonar suas plantações. Também chegou a pedir o mesmo prazo para conseguir desmontar um secador e um armazém mantidos na área. O pedido foi negado.

Sem a manutenção do tratamento com fungicida (aplicação ao menos quatro vezes por safra), a doença da ferrugem, a que mais tem preocupado os sojicultores de Mato Grosso, fica incontrolável. O perigo é de que se espalhe pelas plantações ao redor e atinja um raio incalculável.

“Se não tratar, ela vai espalhar para o Estado de Mato Grosso, Tocantins e Brasil inteiro”, sentencia.

"Isso é uma questão de dias. É um fungo vivo e ele é propagado pelo vento. Onde houver soja, qualquer outra coisa, ele se reproduz e se espalha mais", complementa o produtor Adécio Farias, 40 anos. Quando ele recebeu a reportagem do Olhar Direto em sua fazenda, dentro da área de Suiá Missú, estava justamente preparando o próximo plantio de seus 600 hectares. Em meio às incertezas da situação jurídica da terra, ele já sofre prejuízo por antecipação; corre o risco de ter de desmontar seu aparato e abandonar uma plantação na qual investiu pelo menos R$ 1 mil por hectare.

Aftosa

De acordo com a decisão judicial que determinou a desintrusão, os ocupantes de Suiá Missú estão sujeitos a perder os bens materiais desde que se findou, na última quinta-feira, o prazo para a retirada voluntária. Desta forma, perde-se também todo o controle sanitário tanto sobre as lavouras da região quanto sobre o gado.

O resultado é um rebanho estimado em 300 mil cabeças totalmente vulnerável a qualquer foco de aftosa – e a vacinação ainda está curso.

“Tudo isso está sendo atropelado. E se amanhã, em função dessa bandalheira que está sendo feita aqui, surge um foco de aftosa e derruba toda a pecuária de Mato Grosso? Isso não é fantasia, é real. Nós estamos num mês de campanha de vacinação e os produtores aqui, diante de tais circunstâncias, não estão tendo nem como vacinar o gado”, indigna-se o produtor Naves Bispo Júnior, veterinário ex-coordenador do Centro de Zoonoses e pecuarista em Suiá Missú.

“Vocês já pensaram nisso, como está sendo feita a coisa de forma irresponsável? O Brasil tá doando vacina de aftosa para segurança aftosa para o Paraguai e para a Bolívia para que não haja possibilidade de trânsito de animal não vacinado. Mas agora, dentro do nosso Estado, um juiz se atreve a passar por cima das determinações sanitárias. Que força motora é essa, violenta?”, questiona.

Fonte: Reportagem local
Foto: José Medeiros / Fotos da Terra

Moradores de Suiá Missú se dividem entre fé em Deus e na Justiça do STF

Fé na Justiça divina e dos homens é o que mantém viva nos moradores do distrito de Estrela do Araguaia (entre Alto Boa Vista e São Felix do Araguaia) a esperança de permanecer na terra, demarcada pela Fundação Nacional do Índio (Funai) como território Xavante. O processo, que não está transitado em julgado, está nas mãos do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa.

Grande parte do povoado do distrito professa fé evangélica. Para os católicos, há apenas um templo, dedicado a Nossa Senhora Aparecida. Já os protestantes freqüentam sete igrejas no distrito, das denominações Assembléia de Deus (quatro unidades), Igreja Mundial do Reino de Deus, Deus é Amor e Congregação Cristã no Brasil, informa o pastor Alan Kardec.

“Nós acreditamos num advogado supremo, superior, chamado Jesus Cristo”, sustenta o religioso. “A confiança que nós aplicamos no homem foi em vão”, completa, referindo-se a políticos e magistrados.

“Nós estamos contando com o Joaquim Barbosa, ele disse que se tiver mentira [no processo], ele resolve, mas se não tiver não tem como”, defende um microempresário local ao Olhar Direto, que reproduz o discurso vigente no distrito, segundo o qual, o laudo antropológico da Funai - atestando no processo a ocupação tradicional xavante na área - é falso.

Os locais vivem perguntando aos jornalistas que cobrem a desintrusão e aos líderes do movimento se “tem novidade em Brasília”. A expectativa é de que a qualquer momento uma “canetada” do presidente do Supremo reverterá a retirada dos não-índios.

Uma das principais líderes da resistência é a pastora Irene Maria Rocha Santos, vereadora em término de mandato e vice-prefeita eleita de Alto Boa Vista. Em seus discursos no Posto da Mata, ela sempre evoca a fé em Cristo como a salvação para o povo. Reunidos em vigília sob a estrutura do posto de combustível que marca a existência do distrito, os moradores oram e cantam durante cultos ou em manifestações individuais espontâneas de fé. Todas as noites.

Solução celestial

Para reforçar a intensidade com a qual este povo se ampara numa iminente intervenção divina, há ainda a identificação que encontram entre o drama vivido e os sermões baseados em histórias do Antigo Testamento bíblico.

Embalados pelas palavras de efeito dos pastores locais, os ocupantes desta terra no nordeste mato-grossense têm todos os motivos para se identificarem com a saga do povo hebreu: de posse das escrituras das áreas, eles entendem que detêm total direito sobre as terras, mas se vêem forçados ao êxodo.

A fé cristã e a certeza de um desfecho favorável de fato podem promover algum conforto ou sustentação a um povo emocionalmente em frangalhos, contudo o outro lado da moeda é um efeito desmobilizador e anestesiante.

Os depoimentos da população mais humilde demonstram desconhecimento sobre a efetividade do mandado judicial de desintrusão segundo o qual podem perder todos os bens não retirados até a chegada do oficial de Justiça acompanhado de força policial. Transmitem também uma esperança – quase uma certeza - de que uma reviravolta “cairá dos céus“ na última hora, movendo os corações da presidente Dilma Rousseff (PT) ou do ministro Joaquim Barbosa, e os manterá sobre a terra que reclamam.

Inertes

É recorrente a afirmação dos moradores de que ficarão sentados em casa até o último momento, com todos seus pertences lá dentro. Quase ninguém afirma que tentou juntar suas coisas e providenciar outro lugar para viver mesmo que provisoriamente – como casas de familiares na região. “Vai dar tudo certo” é o que repete o refrão de um dos principais hinos cantados em momentos de fervor.

“O povo de Deus já declarou e o Espírito Santo confirmou que o Brasil é do senhor Jesus, que este lugar é do senhor Jesus. Nós temos Jesus, que é o guerreador por nós”, responde dona Olinda dos Santos Freitas, 65 anos, que vive com o marido em Suiá Missú.

Ela, até o momento, sequer cogita que o despejo será cumprido; com a palma da mão levantada, repete os jargões da congregação e se limita a mencionar exaustivamente o Messias quando perguntada sobre como será seu futuro. “Ele que vai prevalecer por nós. Porque nós não somos nada, nós não temos força, mas o senhor Jesus, Ele tem força, Ele tem poder para nós vencermos. E nós vamos vencer no santo nome Dele”, confia.

Totalmente desiludida com a atuação de parlamentares e prefeitos com a bandeira da defesa de Suiá Missú, dona Helena Maria de Jesus, 54 anos, sintetiza a crença de que a prece dos ocupantes não-índios é o recurso mais valioso para que algo se mova no plano terreno em seu favor.

“Nós estamos esperando em Deus e Deus vai tocar no coração dessas pessoas grandes e eles vão olhar por nós e Deus vai tocar no coração deles porque aqui a gente sempre está orando”.

Fonte: Da Reportagem local - Lucas Bólico e Renê Dióz - enviados especiais a Estrela do Araguaia
Foto: José Medeiros / Fotos da Terra

Caldo de Piranha

Fora do Ar

A operadora de telefonia Vivo esta mesmo relaxando na cidade de Diamantino, hoje segunda feira (10) continua a cidade de Diamantino sem o respectivo sinal da operadora e sequer a empresa se preocupou em comunicar seus usuários. O fato já vem ocorrendo há vários dias porém deste ontem (domingo) é que o sinal simplesmente sumiu. Pelo jeito tem muita gente na cidade que hoje esta dizendo VIVO com raiva dessa operadora.







Pulou da ponte

A jovem Francisca residente no bairro Catira e de aproximadamente 25 anos acabou pulando da ponte do rio Paraguai na tarde de ontem domingo (09), até agora ninguém sabe os motivos reais dessa ação. o fato ocorreu por volta das 15:40 e segundo fontes a jovem ficou agonizando a espera de socorro por mais de 30 minutos. Não temos informações sobre seu estado de saúde posterior ao socorro.

Caldo de Piranha

Parabéns ao The Mask

A festa realizada sob os cuidados e competência de Luiz Alberto popularmente conhecido como Luizinho foi um sucesso apesar de muitos não usarem as máscaras. O importante foi que o publico em geral compareceu na Tribo na ultima sexta feira e garantiu o brilho do evento. Parabéns Luiz e sua equipe. Bafões claro que teve mas a gente conta depois hehehe... As fotos são da Lucélia Regina Vanni.